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Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Era para ser sobre as férias, mas depois eles ganharam

Tinha decidido partilhar convosco as fotos que tirei durante as minhas férias, mas depois vi estas e percebi que me trazem mais sorrisos que qualquer praia ao pôr-do-sol, por mais paradisíaca que seja.

IMG_2584.jpegA dormir num dos seus sítios preferidos, bem no alto, bem protegida.

 

IMG_2585.jpegA dormir de barriga para cima, ao contrário do que o senso comum deveria ditar.

 

IMG_3233.jpegDesfocado, mas com uma pata por cima da máquina de escrever.

 

IMG_3222.jpegA dormir no conforto.

 

IMG_3249.jpegCom patas esticadas e cruzadas, como uma verdadeira donzela.

 

As fotografias são todas em filme. Aprendi a apreciar a surpresa de as receber (às vezes meses depois de as ter tirado) e de redescobrir memórias.

#3 — Desafio de escrita dos Pássaros // O corta-vento

Quando ela abriu a porta de casa já não estava a chover, mas ainda cheirava a terra molhada. Pegou no corta-vento amarelo que o pai lhe tinha dado nos anos e fechou a porta atrás de si.
Chegou ao parque e seguiu o plano que tinha delineado antes de sair: sentar-se a ler o livro da Alice no terceiro banco, o amarelo, a contar da árvore grande. Se tudo corresse como planeado, o cãozinho deveria aparecer cerca de quinze minutos depois, ia dar uma volta ao parque e depois três voltas ao banco amarelo. O dono apareceria cerca de dez minutos depois, iria assobiar e o cão iria a correr. Uma festa no lombo e ambos iriam embora. Todo o sucesso do plano dependia do cão continuar a dar as três voltas ao banco com alguém, ela neste caso, lá sentada.
O tempo foi passando e ela foi olhando para o relógio, por cada dez vezes que olhava, mais ou menos um minuto passava. Tentou relaxar e conseguiu reduzir para três relances por minuto.
Viu-o correr lá ao fundo, viu-o terminar de dar a volta ao parque e, depois, viu-o dar a primeira volta ao banco amarelo, onde ela estava sentada. Seguiu-o com os olhos e viu-o a começar a segunda volta e, antes de começar a terceira, ela abaixou-se na altura certa e pegou-lhe ao colo. Ela podia jurar que o viu sorrir e, de certeza, que o ouviu dizer, — estava a ver que nunca mais. O pêlo dele era curto, mas suave e estava ligeiramente húmido, talvez da chuva que tinha caído de manhã. Uma única mancha castanha na barriga decorava o corpo branco. Ele sentou-se no colo dela e ficou quieto, a arfar, a descansar, à espera. Dez minutos depois ele chegou e assobiou, como previsto. Parou lá ao fundo quando viu que o cão não vinha e começou a procurar, nervoso, e depois viu-o. Sorriu e começou a caminhar.
Tinham passado sessenta e sete dias desde que ela tinha conseguido sair de casa, sessenta e três desde que ela tinha visto o cão através da janela pela primeira vez, cinquenta e nove desde que ele a tinha visto através da janela e a tinha chamado.

Este texto foi escrito para o Desafio de Escrita dos Pássaros.
Tema #3 — Uma aventura.

Podem ler os meus outros textos para este desafio.
Espreitem também as outras participações.

#1 — Desafio de escrita dos Pássaros // A Janela

Desafio de Escrita dos Pássaros #1 — ProblemasEste texto foi escrito para o Desafio de Escrita dos Pássaros.
Tema #1 — Problemas, só problemas.

A Janela

Quando abriu a janela sentiu o frio a entrar, franziu as sobrancelhas e voltou a fechar a janela. Não teve outro remédio senão sentar-se no cadeirão que estava junto à janela, a ler e a ser aquecida pelo sol que brilhava do outro lado. Deu um bom avanço no livro, que estava gostar bastante mais do que tinha pensado, mas teve que o pousar na mesa e, contrariada, levantar-se e preparar-se para o almoço com a sua melhor amiga que tinha estado fora do país.

Na garagem, resmungou para dentro quando o comando não abriu à primeira, era sempre a mesma coisa, tinha que carregar no botão várias vezes, mas porque raio aquelas coisas nunca funcionavam, era o que perguntava a si mesma, todos os dias enquanto saía da garagem.

O restaurante estava cheio, claro, era um daqueles restaurantes que subitamente tinha começado a aparecer nas redes sociais e toda a gente queria lá ir para tirar fotos, ninguém parecia estar interessado na comida, o que era uma pena, pois era na verdade deliciosa. Tinham conseguido reservar mesa, através de uma amiga de uma amiga, por isso não iam ter que esperar, mas, como era esperado, não havia lugares para estacionar. Teve que ir dar uma volta e estacionar na rua traseira, e, com tudo isto, estava 5 minutos atrasada.

A amiga tinha estado de férias na Grécia e, como sabia que ela era fã de mitologia, trouxe-lhe um livro que contava as várias histórias e as ligações aos monumentos e templos da Grécia. Agarrou no livro com carinho, planeando já a sua leitura, mas depois lembrou-se que não sabia quando ia conseguir ir à Grécia, estava sempre a pensar em ir, mas depois, por isto ou por aquilo, nunca conseguia.

Voltou para casa e regressou ao cadeirão, onde esperava conseguir terminar o livro. A casa estava minimamente arrumada e não tinha mais compromissos para esse dia. Abriu a janela, mas estava frio, teve que voltar a fechar.

Podem ler os meus outros textos para este desafio.
Espreitem também as outras participações.

Opinião: Kazuo Ishiguro — Nunca Me Deixes

Passei por ele na Fnac e não me chamou a atenção -  confesso que não aprecio romances e o título "Não Me Deixes", foi mesmo isso que me recordou. No entanto, reparei que era do autor dos "Os Despojos Do Dia" que andava para ler e ao pesquisar um bocadinho, percebi que o título era só mesmo isso, um título. Assim, trouxe-o comigo para casa.

Kazuo Ishiguro Nunca Me Deixes.jpeg

Confesso que tenho dificuldades em partilhar convosco a minha opinião. Durante toda a leitura do livro oscilei entre adorar e depois pensar que afinal era só um livro médio. Andei nisto o livro todo e ainda agora estou. 

O que me atrai mais no livro é precisamente aquilo que não posso partilhar, é o tema que é também o factor surpresa. Este tema só nos é apresentado depois de termos avançado uma boas páginas (já não me lembro quantas, 100 talvez?) e, além de não estarmos à espera, apresenta uma realidade com a qual não nos é fácil identificar. Recomendo, vivamente, que não leiam opiniões que vos contem mais do que podem ler na sinopse (portuguesa), pois vai quebrar o "encanto" deste livro.

É um livro que, sim, fala de amor, mas também de traição, de conformismo, de indiferença, de perda e de quem somos enquanto sociedade.  

Se participarem em algum book club, esta será uma boa aposta, tenho a certeza de que haverá muito estimulo à boa discussão.

Só dei 3 estrelas a este livro, pois, apesar de ter gostado muito do tema e da forma com que foi abordado, a linguagem em si cansou-me um bocadinho. De qualquer das formas, continuo com o "Os Despojos Do Dia" na lista, pois quero conhecer mais do autor.

Se já o leram, por favor, partilhem a vossa opinião comigo :) 

Nota: 3/5

 Podem ler mais opiniões sobre livros aqui.

Opinião: J.D.Salinger — For Esme — With Love And Squalor

Nunca tinha lido nada de J.D.Salinger, mas encontrei três livros dele (For Esme — With Love And Squaler, The Catcher in the Rye e Franny & Zooey) nesta edição bonita da Penguin e tive de os trazer comigo. 

O The Catcher in the Rye (À Espera No Centeio em português, editado pela Quetzal) é o mais reconhecido livro de J.D.Salinger, mas este que vos mostro é uma colectânea de contos, por isso foi mesmo por aqui que comecei. 

J. D. Salinger, For Esme — With Love And Squalor

Esta minha versão tem nove contos, que, possivelmente, serão os mesmos que a edição em português. Os mais populares são o "A Perfect Day for Bananafish" que nos fala da relação entre um jovem casal - Muriel and Seymour Glass, e o que dá o nome ao livro "For Esme — With Love And Squalor" que nos conta o encontro entre um Sargento e uma jovem adolescente e como a simplicidade dessa relação impacta a vida do Sargento após a guerra. 

“She wrote to him fairly regularly, from a paradise of triple exclamation points and inaccurate observations.”

Não vos vou falar de cada um dos contos, até porque é na descoberta que encontro o maior prazer da leitura, mas posso-vos dizer que são todas histórias maravilhosas e que pedem a nossa atenção. São contos enigmáticos que tocam em temas como a inocência das crianças, a isolação dos homens adultos e o impacto da guerra em quem a travou ou foi por ela impactado.

Como, neste tipo de contos, tenho sempre a sensação de que algo me pode ter escapado, dedico um bocadinho de tempo a analisar cada conto e a pesquisar e ler quem o sabe fazer melhor que eu. Tenho ainda o hábito de reler os contos após estas análises, porque acrescentam sempre tanto e ajudam-nos a ler com outros olhos. Esta colectânea são pequenas pérolas que merecem uma pausa para respirar e ponderar entre cada uma delas, enquanto pedimos que o livro nunca acabe e que exista sempre mais uma história para nos encher os dias.

Para quem?

Para quem quer, em poucas páginas, ser impactado por realidades que podiam ser nossas ou da pessoa que apanha sol ao nosso lado. Falo em sol, mas não lhe chamaria uma leitura de verão, pelo menos daquelas para ler entre mergulhos. Salinger conta-nos muito nestas páginas e merece a nossa atenção. Acho que qualquer amante de contos vai colocar este livro entre os seus preferidos e dar-lhe um lugar de destaque na prateleira.

Nota: 5/5

Podem ler mais opiniões sobre livros aqui.

Os novos livros cá de casa #3

Kazuo Ishiguro, Nunca Me Deixes

Já há um tempo que andava para ler qualquer coisa deste autor - Kazuo Ishiguro, vencedor no Nobel da Literatura em 2017. O que estava na lista de compras era o "Os Despojos do Dia", mas passei por este, "Nunca Me Deixes",  e resolvi trazê-lo para casa. 

O segundo livro de que vos falo, não está na foto porque é um audiobook, mas merecia ser falado aqui.

 

Kazuo Ishiguro — Nunca me deixes

Já terminei este livro e tenho já aqui apontado para partilhar a minha opinião convosco, mas não vai ser fácil. Acho que este é daqueles livros que é perfeito para um book club, pois parece-me que vá gerar bastante discussão. A única recomendação que posso dar é que não tentem perceber de que se trata a história antes, não leiam mais do que esta sinopse que vos deixo aqui. Acreditem, parte da magia está aí.

Kazuo Ishiguro foi elogiado no Sunday Times por «ampliar as possibilidades da ficção». Em Nunca Me Deixes, que se encontra certamente entre as suas melhores obras, conta-nos uma extraordinária história de amor, perda e verdades escondidas.
Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham - um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?
Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz e sobre o futuro que lhes está destinado.

 

Arthur Conan Doyle — Sherlock Holmes, The Definitive Collection (Stephen Fry)

Não sei se preciso de introduzir Sherlock Holmes, mas preciso de admitir que nunca tinha lido nenhuma das suas aventuras. Sherlock Holmes não me era estranho, claro, até porque acho que devo ter visto todas as séries que foram feitas sobre ele, mas ler? Até agora, nada! Este audiobook inclui todas as histórias (livros e contos) de Sherlock Holmes e está narrado pelo Stephen Fry. Posso dizer-vos que a junção é maravilhosa. São cerca de 72 horas, portanto, devo demorar a partilhar a minha opinião.

Ever since he made his first appearance in A Study In Scarlet, Sherlock Holmes has enthralled and delighted millions of fans throughout the world. Now Audible is proud to present Arthur Conan Doyle's Sherlock Holmes: The Definitive Collection, read by Stephen Fry. A lifelong fan of Doyle's detective fiction, Fry has narrated the complete works of Sherlock Holmes - four novels and five collections of short stories. And, exclusively for Audible, Stephen has written and narrated nine insightful, intimate and deeply personal introductions to each title.

Podem ver os outros posts desta rubrica aqui e tudo sobre livros aqui

#0 — Desafio de Escrita dos Pássaros

Desafio de Escrita dos Pássaros #0Já vos falei aqui, ainda que muito levemente, do Desafio de Escrita dos Pássaros. Pois bem, apesar do desafio só começar para a semana, já recebemos um pré-desafio, assim um género de aquecimento para o que aí vem. O tema para esta semana é muito simples, explicar, em menos de 400 palavras, quais os motivos que nos levaram a aceitar o desafio. 

 

#0 — Razões que me levaram a participar

  1.  Gosto de escrever;
  2.  Sou preguiçosa;
  3.  Gosto de apoiar quem arregaça as mangas;
  4.  Para ver se perco a mania de escrever em bullet points.


Portanto:

  • Vai ajudar-me a ser menos preguiçosa e a escrever;
  • Estamos a falar de menos de 400 palavras por semana, não há desculpas de falta de tempo;
  • Os temas são nos dados, novamente, não há desculpas como "não me lembrei de nada";
  • Vou ter a oportunidade de ler outras pessoas e conhecer melhor este canto;
  • Se quisermos desistir, temos que enviar um email (claro que ninguém deve vir atrás de mim, mas gosto de respeitar as regras) e enviar um email a dizer que desisti deve ser motivo suficiente para me obrigar a escrever todas as semanas, como se a minha vida dependesse disso.

Como podem ver, ainda não ajudou na questão dos bullet points, mas lá chegaremos. 

Agora num registo mais sério, não pensei muito no assunto, assim que ouvi falar dele, abri o email e inscrevi-me. É um desafio com pouco esforço associado, mas que pode trazer muitas vantagens. O escrever mais regularmente e o conhecer outras pessoas com gostos semelhantes são os principais motivos que me levaram a inscrever sem sequer duvidar de que seria a coisa certa. 

Ainda devem ir a tempo de se juntarem também 💪

Desafio da escrita dos pássaros

Desafio dos pássaros.png

Estou de férias e dei por mim a não ter vontade de mais nada a não ser esticar-me ao sol e ler.
Tive sorte e resolvi dar um pulo ao blog antes de mais uma rodada de sol. O Sapo resolveu destacar este post da a 3ª face e scroll para aqui, scroll para ali, descobri este post que li e, antes de pensar muito na coisa, inscrevi-me no desafio. 

De que estou eu a falar, perguntam-se? É normal, estou de férias e não estou a explicar muito bem as coisas. Felizmente, está tudo bem explicado aqui. São 400 palavras por semana, juntam-se?