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Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Opinião: Entrevista com o Vampiro — Anne Rice

Bem, posso começar por dizer que este livro não foi nada daquilo que estava à espera? Vamos começar por aí então. 

Entrevista com o Vampiro — Anne Rice.jpeg

Li há pouco tempo o Salem’s Lot do Stephen King e depois percebi que nunca tinha lido aquele que foi considerado o livro que mudou as histórias de vampiros — resolvi corrigir isso. 

Fui, obviamente, à espera de uma história de vampiros. Aquele que nos contam o que os vampiros (bons ou maus depende do autor) andam a fazer. Provável também teria uns humanos bons a tentarem caçar os vampiros. Mas não foi nada disso. 

 

Esta história é de vampiros, mas podia ser de outra coisa qualquer, desde que moralmente duvidosa. O foco aqui não são os vampiros a caçar os humanos, mas sim o dilema moral de um dos vampiros e a forma como ele se relaciona com os outros vampiros. 

 

Anne Rice mostra-nos que, mesmo da espécie vampiro (😅 gosto de dizer "espécie vampiro" como se fosse uma coisa a sério) há vários tipos de vampiros, tal como acontece com os humanos. 

 

Há os vampiros que são ”bons”, que preferem não matar humanos (mas talvez o façam), há os vampiros maus, que adoram matar humanos porque gostam da sensação que têm e também há os cruéis, que gostam de crueldade só porque sim. Cada vampiro é um vampiro, como cada humano é um humano. E é esta representação que foi fresca nesta história. 

 

Foi com Entrevista com o Vampiro que Anne Rice trouxe uma nova dimensão a estes seres sobrenaturais. Foi aqui que os vampiros deixaram de ser algo selvagem e motivado apenas pelo ato de trincar humanos para passarem a ser seres conscientes, com princípios morais, cultos e até com elevados padrões. 

 

Apesar de existirem alguns momentos que me deixaram desconfortável, gostei muito de ler este livro. Apesar desta perspectiva já não ser nova, ou seja, já é standard os vampiros terem um comportamento tão complexo como o humano, gostei de ver onde nasceu.

 

Já leram? O que gostaram mais? Têm outros livros com vampiros para me recomendar? 🧛‍♀️

 

Opinião: Tokyo Ueno Station — Yu Miri

Um fantasma que nos conta a história de quando era vivo. Não fiquem de pé atrás com o fantasma, não há nada de fantástico nesta história, pelo contrário. 

 

Tokyo Ueno Station de Yu Miri é uma representação da sociedade japonesa que começa em 1933 e segue até aos dias de hoje. Seguimos a vida de um homem, Kazu, e das suas relações com a família e com as outras pessoas com quem se cruza. Enquanto fantasma, Kazu tem um ponto de vista único, tão depressa estamos a relembrar a sua vida, como estamos a observar as pessoas, estranhos, que fazem a sua vida na estação e no parque que Kazu habitua.

Tokyo Ueno Station Oh no Books.jpeg

É um retrato muito despretensioso da vida de Kazu e da sociedade onde está inserido. Kazu é, era, pobre. Vivia longe da família para a suportar e, além da pobreza, Kazu tinha muito azar na vida.  

“I was never home, because I was away working, so I didn’t take any pictures of the children. I never had my own camera either.”

Não pensem que é uma lamúria constante, porque não é e é aí que está o verdadeiro impacto desta história. Yu Miri conta-nos esta história de uma forma quase estéril. Kazu, tal como milhares de outros na mesma situação, aceita a sua vida. Aceita as suas dificuldades e faz o que tem que fazer, da melhor maneira que consegue. E, quando não consegue, aceita também. É um distanciamento que nos deixa, um pouco, assustados e desolados com a realidade da vida.

“I would have liked to exchange a glance with someone, anyone, even a sparrow. (…) but there is no broom, no shovel, and nobody, nobody, nobody…”

Um solidão dilacerante. Não apenas do nosso protagonista, mas da sociedade, das pessoas. Breves ligações, de hábitos, quando todos anseiam por mais. Também conhecemos a crueldade, aquele que existe todos os dias e que nós, educadamente, viramos o rosto.

“I hear a listless sort of screeching.

Possibly the first cicadas of the year.

Could be a Kaempfer cicada…

Or maybe it’s not a cicada, maybe it’s a katydid or something else…” 

A narrativa é frequentemente interrompida por reparos, por sons e imagens, ajudando a tornar tudo muito mais real. Mergulhamos na voz de Kazu e quando ele repara em algo e interrompe a história, também nós reparamos. Vemos com os seus olhos e sentimo-nos, mesmo, como se o fantasma fossemos nós.

Tokyo Ueno Station interior.jpeg

Há muito, muito mais para dizer sobre este livro. Um crítica ao sistema imperial do Japão, à guerra, aos jogos olímpicos. Onde Kazu acabou a sua vida e porquê, mas não quero contar demasiado — acho que é uma experiência que merece ser descoberta e saboreada. 

“I’m trying, I thought.

Set me free from trying, I thought.”

Só quero dizer mais um coisa: este minha opinião não faz jus a este livro. Yu Miri oferece-nos uma experiência tão diferente do habitual que tenho a certeza que me vou lembrar deste livro durante muito tempo. 

 

Que eu saiba, ainda não está editado em português, mas, se puderem, leiam em inglês. São 180 páginas de um livro minúsculo (é pouco mais alto que um telemóvel) com imenso espaçamento — é mesmo um livro pequeno.

 

Deixo só a nota que é um livro que trata de temas pesados — acho que deu para perceber 😅 Acho que os trata de uma forma leve, mas deixo o alerta.

 

Se já leram, por favor, partilhem comigo a vossa opinião. Se não leram, digam-me se contribuí para aumentar a vossa TBR 😅 (espero mesmo que sim).

O Oh no! Books! fez um ano e eu esqueci-me 😒

Então não é que o Oh No! Books! fez um ano e eu esqueci-me de publicar por aqui? Feita traidora, publiquei no Instagram e deixei o meu querido blog esquecido, mas, mais vale tarde que nunca. Em jeito de comemoração, deixo-vos dez factos sobre mim, uns livrólicos, outros não, para nos conhecermos um pouco melhor (porque o que são os livros senão pessoas?)

  1. 📔 Comecei a minha experiência nas leituras com banda desenhada do Tio Patinhas. Colocava as revistas no meio dos livros da escola e fingia estar a estudar. (Ainda hoje gosto de a ler);
  2. 🎯 Além de viciada em livros, sou viciada em organização e agendas. Não vou dizer quantas tenho; #vergonhanacara
  3. 🐊 Tenho pavor de dragões de Komodo. Pavor;
  4. 🍅 Já tive uma horta numa varanda e colhi 3 kg de tomate cereja (num dia);
  5. 🎶 Detesto musicais, não consigo suportar;
  6. 🐈Tenho 4 gatos, mas gostava de ter 20;
  7. 🕵🏻‍♀️ Quando era miúda ia para a biblioteca e passava as tardes a ler “Uma Aventura”;
  8. 🐶 Tenho medo de cães, grandes ou pequenos. Se estiverem com trela e dono mesmo ao lado é ok;
  9. 🛋 Não consigo adormecer no sofá, nem fazer sestas a meia da tarde;
  10. 📚 Estou quase sempre a ler 3 livros ao mesmo tempo. Um em áudio e dois em papel/ebook.

 

Obrigada por estarem desse lado 💛