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Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

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Opinião: A Volta no Parafuso — Henry James

A Volta no Parafuso, Henry James.jpeg

Primeiro, podemos olhar para esta capa linda?

Não sei se foi por me ter salvo do suplício de ler esta obra em inglês, mas acho esta capa qualquer coisa. Além disso, tem umas margens gigantes no centro do livro, o que facilita imenso a leitura - tornou-se numa das minhas aquisições preferidas. 

Mas pronto, edições à parte, queria partilhar que comecei a ler este livro na sua versão original, em inglês. Mais propriamente, estava a ler o livro The Turning editado pela Penguin e que contém vários contos, entre eles o The Turn of the Screw a que corresponde esta tradução em português. Estava a ler em inglês e estava a sofrer imenso... Além de Henry James ser adepto de frases gigantes tão cheias de vírgulas e informações, também escreve em inglês claramente antigo (nasceu em 1843 e faleceu em 1916).

The Turning, Henry James.jpeg

Eu leio 90% em inglês, eu oiço livros em inglês, mas para conseguir compreender este livro tinha que estar super concentrada o que nunca me permitiu deixar-me levar pela leitura. No entanto, dos contos que li, gostei imenso das histórias em si e, por isso, queria muito continuar a leitura. Fui em busca de uma edição em português e foi assim que encontrei esta. Apesar da escrita continuar difícil - claro - o facto de ser na minha língua nativa ajudou imenso, a leitura ficou fluída e este tornou-se um dos meus livros preferidos.

Focando-me no conto A Volta no Parafuso, achei o conto fabuloso. Sem entrar em spoilers, o Henry James consegue aquilo que eu mais aprecio num bom conto de horror - a dúvida. Aqui  ficamos sempre na dúvida, sem saber exatamente o que é real. É a preceptora que está a ficar louca? E as crianças? Afinal, são apenas crianças ou transpiram maldade?

Henry James controla a narrativa com um ritmo perfeito. Partilha connosco a passagem do tempo e passa a inquietação para o nosso lado. A troca de poder, entre adultos e crianças, transporta-nos para um universo que não conhecemos e que nos deixa receosos. É a atmosfera, como sempre, que me convence. 

Este conto trouxe-me Shirley Jackson à memória - a dúvida, a alienação e o terror.

Recomendo muito este conto, mas deixo a nota que o inglês de Henry James não é fácil e acho que pode mesmo retirar poder à leitura. Já a edição da Relógio D'Água é linda e merece um lugar na vossa estante.

Já leram? Gostaram?

Podem comprar a edição em português aqui.

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