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Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

#3 — Desafio de escrita dos Pássaros // O corta-vento

Quando ela abriu a porta de casa já não estava a chover, mas ainda cheirava a terra molhada. Pegou no corta-vento amarelo que o pai lhe tinha dado nos anos e fechou a porta atrás de si.
Chegou ao parque e seguiu o plano que tinha delineado antes de sair: sentar-se a ler o livro da Alice no terceiro banco, o amarelo, a contar da árvore grande. Se tudo corresse como planeado, o cãozinho deveria aparecer cerca de quinze minutos depois, ia dar uma volta ao parque e depois três voltas ao banco amarelo. O dono apareceria cerca de dez minutos depois, iria assobiar e o cão iria a correr. Uma festa no lombo e ambos iriam embora. Todo o sucesso do plano dependia do cão continuar a dar as três voltas ao banco com alguém, ela neste caso, lá sentada.
O tempo foi passando e ela foi olhando para o relógio, por cada dez vezes que olhava, mais ou menos um minuto passava. Tentou relaxar e conseguiu reduzir para três relances por minuto.
Viu-o correr lá ao fundo, viu-o terminar de dar a volta ao parque e, depois, viu-o dar a primeira volta ao banco amarelo, onde ela estava sentada. Seguiu-o com os olhos e viu-o a começar a segunda volta e, antes de começar a terceira, ela abaixou-se na altura certa e pegou-lhe ao colo. Ela podia jurar que o viu sorrir e, de certeza, que o ouviu dizer, — estava a ver que nunca mais. O pêlo dele era curto, mas suave e estava ligeiramente húmido, talvez da chuva que tinha caído de manhã. Uma única mancha castanha na barriga decorava o corpo branco. Ele sentou-se no colo dela e ficou quieto, a arfar, a descansar, à espera. Dez minutos depois ele chegou e assobiou, como previsto. Parou lá ao fundo quando viu que o cão não vinha e começou a procurar, nervoso, e depois viu-o. Sorriu e começou a caminhar.
Tinham passado sessenta e sete dias desde que ela tinha conseguido sair de casa, sessenta e três desde que ela tinha visto o cão através da janela pela primeira vez, cinquenta e nove desde que ele a tinha visto através da janela e a tinha chamado.

Este texto foi escrito para o Desafio de Escrita dos Pássaros.
Tema #3 — Uma aventura.

Podem ler os meus outros textos para este desafio.
Espreitem também as outras participações.

#1 — Desafio de escrita dos Pássaros // A Janela

Desafio de Escrita dos Pássaros #1 — ProblemasEste texto foi escrito para o Desafio de Escrita dos Pássaros.
Tema #1 — Problemas, só problemas.

A Janela

Quando abriu a janela sentiu o frio a entrar, franziu as sobrancelhas e voltou a fechar a janela. Não teve outro remédio senão sentar-se no cadeirão que estava junto à janela, a ler e a ser aquecida pelo sol que brilhava do outro lado. Deu um bom avanço no livro, que estava gostar bastante mais do que tinha pensado, mas teve que o pousar na mesa e, contrariada, levantar-se e preparar-se para o almoço com a sua melhor amiga que tinha estado fora do país.

Na garagem, resmungou para dentro quando o comando não abriu à primeira, era sempre a mesma coisa, tinha que carregar no botão várias vezes, mas porque raio aquelas coisas nunca funcionavam, era o que perguntava a si mesma, todos os dias enquanto saía da garagem.

O restaurante estava cheio, claro, era um daqueles restaurantes que subitamente tinha começado a aparecer nas redes sociais e toda a gente queria lá ir para tirar fotos, ninguém parecia estar interessado na comida, o que era uma pena, pois era na verdade deliciosa. Tinham conseguido reservar mesa, através de uma amiga de uma amiga, por isso não iam ter que esperar, mas, como era esperado, não havia lugares para estacionar. Teve que ir dar uma volta e estacionar na rua traseira, e, com tudo isto, estava 5 minutos atrasada.

A amiga tinha estado de férias na Grécia e, como sabia que ela era fã de mitologia, trouxe-lhe um livro que contava as várias histórias e as ligações aos monumentos e templos da Grécia. Agarrou no livro com carinho, planeando já a sua leitura, mas depois lembrou-se que não sabia quando ia conseguir ir à Grécia, estava sempre a pensar em ir, mas depois, por isto ou por aquilo, nunca conseguia.

Voltou para casa e regressou ao cadeirão, onde esperava conseguir terminar o livro. A casa estava minimamente arrumada e não tinha mais compromissos para esse dia. Abriu a janela, mas estava frio, teve que voltar a fechar.

Podem ler os meus outros textos para este desafio.
Espreitem também as outras participações.

#0 — Desafio de Escrita dos Pássaros

Desafio de Escrita dos Pássaros #0Já vos falei aqui, ainda que muito levemente, do Desafio de Escrita dos Pássaros. Pois bem, apesar do desafio só começar para a semana, já recebemos um pré-desafio, assim um género de aquecimento para o que aí vem. O tema para esta semana é muito simples, explicar, em menos de 400 palavras, quais os motivos que nos levaram a aceitar o desafio. 

 

#0 — Razões que me levaram a participar

  1.  Gosto de escrever;
  2.  Sou preguiçosa;
  3.  Gosto de apoiar quem arregaça as mangas;
  4.  Para ver se perco a mania de escrever em bullet points.


Portanto:

  • Vai ajudar-me a ser menos preguiçosa e a escrever;
  • Estamos a falar de menos de 400 palavras por semana, não há desculpas de falta de tempo;
  • Os temas são nos dados, novamente, não há desculpas como "não me lembrei de nada";
  • Vou ter a oportunidade de ler outras pessoas e conhecer melhor este canto;
  • Se quisermos desistir, temos que enviar um email (claro que ninguém deve vir atrás de mim, mas gosto de respeitar as regras) e enviar um email a dizer que desisti deve ser motivo suficiente para me obrigar a escrever todas as semanas, como se a minha vida dependesse disso.

Como podem ver, ainda não ajudou na questão dos bullet points, mas lá chegaremos. 

Agora num registo mais sério, não pensei muito no assunto, assim que ouvi falar dele, abri o email e inscrevi-me. É um desafio com pouco esforço associado, mas que pode trazer muitas vantagens. O escrever mais regularmente e o conhecer outras pessoas com gostos semelhantes são os principais motivos que me levaram a inscrever sem sequer duvidar de que seria a coisa certa. 

Ainda devem ir a tempo de se juntarem também 💪

Desafio da escrita dos pássaros

Desafio dos pássaros.png

Estou de férias e dei por mim a não ter vontade de mais nada a não ser esticar-me ao sol e ler.
Tive sorte e resolvi dar um pulo ao blog antes de mais uma rodada de sol. O Sapo resolveu destacar este post da a 3ª face e scroll para aqui, scroll para ali, descobri este post que li e, antes de pensar muito na coisa, inscrevi-me no desafio. 

De que estou eu a falar, perguntam-se? É normal, estou de férias e não estou a explicar muito bem as coisas. Felizmente, está tudo bem explicado aqui. São 400 palavras por semana, juntam-se?