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Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Opinião: Tokyo Ueno Station — Yu Miri

Um fantasma que nos conta a história de quando era vivo. Não fiquem de pé atrás com o fantasma, não há nada de fantástico nesta história, pelo contrário. 

 

Tokyo Ueno Station de Yu Miri é uma representação da sociedade japonesa que começa em 1933 e segue até aos dias de hoje. Seguimos a vida de um homem, Kazu, e das suas relações com a família e com as outras pessoas com quem se cruza. Enquanto fantasma, Kazu tem um ponto de vista único, tão depressa estamos a relembrar a sua vida, como estamos a observar as pessoas, estranhos, que fazem a sua vida na estação e no parque que Kazu habitua.

Tokyo Ueno Station Oh no Books.jpeg

É um retrato muito despretensioso da vida de Kazu e da sociedade onde está inserido. Kazu é, era, pobre. Vivia longe da família para a suportar e, além da pobreza, Kazu tinha muito azar na vida.  

“I was never home, because I was away working, so I didn’t take any pictures of the children. I never had my own camera either.”

Não pensem que é uma lamúria constante, porque não é e é aí que está o verdadeiro impacto desta história. Yu Miri conta-nos esta história de uma forma quase estéril. Kazu, tal como milhares de outros na mesma situação, aceita a sua vida. Aceita as suas dificuldades e faz o que tem que fazer, da melhor maneira que consegue. E, quando não consegue, aceita também. É um distanciamento que nos deixa, um pouco, assustados e desolados com a realidade da vida.

“I would have liked to exchange a glance with someone, anyone, even a sparrow. (…) but there is no broom, no shovel, and nobody, nobody, nobody…”

Um solidão dilacerante. Não apenas do nosso protagonista, mas da sociedade, das pessoas. Breves ligações, de hábitos, quando todos anseiam por mais. Também conhecemos a crueldade, aquele que existe todos os dias e que nós, educadamente, viramos o rosto.

“I hear a listless sort of screeching.

Possibly the first cicadas of the year.

Could be a Kaempfer cicada…

Or maybe it’s not a cicada, maybe it’s a katydid or something else…” 

A narrativa é frequentemente interrompida por reparos, por sons e imagens, ajudando a tornar tudo muito mais real. Mergulhamos na voz de Kazu e quando ele repara em algo e interrompe a história, também nós reparamos. Vemos com os seus olhos e sentimo-nos, mesmo, como se o fantasma fossemos nós.

Tokyo Ueno Station interior.jpeg

Há muito, muito mais para dizer sobre este livro. Um crítica ao sistema imperial do Japão, à guerra, aos jogos olímpicos. Onde Kazu acabou a sua vida e porquê, mas não quero contar demasiado — acho que é uma experiência que merece ser descoberta e saboreada. 

“I’m trying, I thought.

Set me free from trying, I thought.”

Só quero dizer mais um coisa: este minha opinião não faz jus a este livro. Yu Miri oferece-nos uma experiência tão diferente do habitual que tenho a certeza que me vou lembrar deste livro durante muito tempo. 

 

Que eu saiba, ainda não está editado em português, mas, se puderem, leiam em inglês. São 180 páginas de um livro minúsculo (é pouco mais alto que um telemóvel) com imenso espaçamento — é mesmo um livro pequeno.

 

Deixo só a nota que é um livro que trata de temas pesados — acho que deu para perceber 😅 Acho que os trata de uma forma leve, mas deixo o alerta.

 

Se já leram, por favor, partilhem comigo a vossa opinião. Se não leram, digam-me se contribuí para aumentar a vossa TBR 😅 (espero mesmo que sim).

Livros que li nas férias (2021)

Foram duas semanas de férias muito divididas entre comprar livros e ler livros 😅.

Além destes que estão na foto, também li o Salem’s Lot do Stephen King, mas li no Kobo, portanto não veio para a foto.

Livros que li nas férias.jpeg

 

😱 Os Pássaros e outros contos macabros, Daphne du Maurier — Sei que é uma autora adorada por muitos e reconheço muita qualidade na sua escrita, mas não é a minha preferida no formato de contos. Prefiro um género de terror mais silencioso e, nestes contos, a Daphne du Maurier trabalha um tipo de terror muito mais imediato, muito mais urgente. Digam-me, gostam desta autora? Porquê?

 

🤖 Klara e o Sol, Kazuo Ishiguro — Agora estou a começar a pensar que gostava de ter colocado os livros por outra ordem 😅 Também foi uma leitura que me desiludiu bastante… acho que ficou ao nível do outro que li do autor “Nunca me Deixes”. Lê-se bem, mas achei muito semelhante ao outro que li e parece-me sempre que o autor não sabe bem o que quer dizer, parece-me sempre tudo muito superficial e encostado à bengala do twist.

 

👩🏻 Eliete, Dulce Maria Cardoso — UAU. Nunca tinha lido nada da autora, mas agora sei que vou querer ler toda a obra. Surpreendeu-me bastante, não só pela história, mas pela riqueza e profundidade da linguagem. Recomendo muito. Já deixei opinião aqui no feed.

 

⛵️ Outline, Rachel Cusk — Livro maravilhoso. O primeiro de uma trilogia, é composto por dez conversações. Todas tão profundas que não têm espaço na vida real. Pessoas a conversar, a pensar, pessoas a mostrarem quem são, pessoas com medo. Gostei imenso e vou querer ler os outros dois.

 

🥺 Tokyo Ueno Station, Yu Miri — Outro livro bonito. Um fantasma que nos fala de perda, de invisibilidade, de pobreza, de falta de sorte, de falta de vontade de continuar. Uma visão da perda próxima e poderosa. Podem ver a minha opinião aqui.

 

🧛‍♀️ Salem’s Lot, Stephen King — Já não lia King há imenso tempo, mas voltei a ficar com vontade. Dos meus preferidos dele até agora.

 

E vocês, o que leram nas férias? Já leram algum destes?

 

Opinião: Eliete — Dulce Maria Cardoso

Uma vida normal, uma família imperfeita, um passado pesado, um emprego que paga as contas, uma amiga que só vemos de tempos a tempos mas que nos esforçamos para impressionar, uma relação com a mãe — cheia de bagagem, claro. Inseguranças, medo do futuro, arrependimento do passado, fechar os olhos para não ver o presente, solidão. Eliete tem uma vida normal, que todos nós temos, de uma forma ou de outra. 

Eliete, Dulce Maria Cardoso.jpeg

Dulce Maria Cardoso pega nesta vida que é comum e disseca-a, não deixando nada passar despercebido. Mergulhamos na vida de Eliete, tornamo-nos parte da sua pele, parte da sua mente e vemos o que ela vê. Eliete é atenta e, por isso, nós também somos. A necessidade de não contar os seus erros à amiga é mais do que um segredo, é uma necessidade primal de não admitir, para si mesma. É o querer ter algo que lhe sirva de bóia, nem que seja aos olhos da amiga que vê de vez em quando.

Contar a história de uma vida normal não é fácil, mas Dulce Maria Cardoso sabe exatamente como aprofundar as coisas banais da vida, sem que pareçam banais e, muito menos, aborrecidas.

Prende-nos às suas páginas com um sentimento de inevitabilidade à mistura. 

Nunca tinha lido Dulce Maria Cardoso, mas sei que vou querer ler muito, muito mais. Foi uma surpresa muito boa. Já comprei O Retorno e vou estar atenta à segunda parte deste vida normal. 

Já leram o Eliete ou outro da Dulce Maria Cardoso?

 

Os novos livros cá de casa #6

Ui, que o último post nesta rubrica foi quase há um ano atrás 😅 Como poderão adivinhar, não estive um ano sem comprar livros (mas fazia-me bem), estive, sim, um ano sem partilhar as novas chegadas cá a casa.

Os novos livros cá de casa_6_Ohnobooks.jpeg

Agora, estive duas semanas de férias e acho que comprei este mundo e o outro. Não sei se vos acontece o mesmo, mas eu posso estar meses sem comprar livros, mas depois, de repente, quero comprar todos os livros que existem e fazer todas as coleções 🤷🏻‍♀️ Vamos chamar equilíbro, sim?

Não se assustem que não vou partilhar os livros todos de uma vez — até porque gosto de falar um bocadinho sobre cada um e não quero ficar 5 horas a escrever este artigo (como fiquei para este 😱).

 

Magda Szábo — A Balada de Iza

Desta autora li A Porta e nunca mais me esqueci dela. Tinha na lista ler mais obras desta escritora húngara e quando vi A Balada de Iza não resisti e trouxe-o comigo. Ainda não o li, mas, pelo que pesquisei, conta-nos a história de uma mãe que vai viver com a filha após ficar viúva. Depois temos uma filha que, com a melhor das intenções, controla a vida da mãe para a ajudar a ultrapassar a dor de ter perdido o marido. Desprovida de responsabilidades e sem necessidade de tomar decisões, a mãe começa a questionar-se sobre a sua existência. 

Como vos disse, ainda não o li, mas tenho a certeza que vou adorar.

🛒 Podem comprar aqui.

 

The Penguin Book of the Modern American Short Story

Fã de contos e muito fã destas coleções que a Penguin edita. Já tenho a edição de contos britânicos (The Penguin Book of Contemporary British Short Story) e também os japoneses (The Penguin Book of Japanese Short Stories). Esta é editado pelo John Freeman e contém contos de nomes bem conhecidos, como Ursula K. Le Guin, Raymond Carver, Susan Sontag, Lucia Berlin, Jhumpa Lahiri, Ken Liu e até Stephen King.

Gosto muito de ler contos e acho estas coleções por origem super interessantes. Também tenho alguns livros de contos por autor, mas há algo nestas misturas que mantém a leitura sempre surpreendente. 

🛒 Podem comprar aqui (em inglês)

 

Ali Smith — Outono

Primeiro livro da tetralogia — sim, adivinharam, cada um é uma estação do ano. Gostava de vos falar um pouco sobre este livro, mas se pesquisarem sobre ele vão perceber porque não consigo. Com opiniões muito divididas, parece que nem a história é clara. Vejo-o muitas vezes descrito como experimental e acabei por ficar com muita curiosidade. 

Prometo que partilho convosco quando o ler (se já o leram partilhem comigo a vossa opinião 🙏).

🛒 Podem comprar aqui.

 

Yu Miri — Tokyo Ueno Station

Posso começar por dizer que é um livro maravilhoso? Quem nos leva nesta viagem é um fantasma que observa a vida dos vivos que o rodeiam ao mesmo tempo que nos vai contando a história da sua vida. É um livro triste. É um livro que trata a sensação de perda, a sensação de luto como nenhum outro que eu tenha lido até agora. Não é um livro alegre, mas é poético e, ainda que trate de temas pesados, é um livro que se lê bem. 

Assim que consiga partilho a minha opinião mais detalhada convosco.

🛒 Podem comprar aqui (em inglês).

 

Já leram algum destes? Têm algum na wishlist?

Podem ver os outros posts desta rubrica aqui. 

 

Disclaimer: Alguns dos links que podem encontrar no blog são links de afiliado. O que isto significa? Que se comprarem algo através do link, eu recebo uma pequena comissão. Para quem compra é totalmente indiferente e sempre é uma forma de apoiarem este projeto, sem custos 💜

20 livros para ler com o Kobo Plus

Agora que estamos no verão e começam as idas à praia ou as tardes preguiçosas no sofá, achei que seria simpático deixar-vos uma lista de livros que podem ler com o Kobo Plus (se não souberem o que é tenho mais informação aqui). 

Ainda não li a maioria, por isso não vos vou dar opinião, mas estão todos na minha lista de livros a ler. São quase todos em português, mas também têm alguns em inglês.

Tenham em conta que só estou a colocar um livro por autor mas, normalmente, têm sempre todos os livros do autor disponíveis. Também queria deixar a nota que os livros disponíveis vão mudando, por isso, esta lista está atualizada à data de hoje — por exemplo, antes os livros da Elena Ferrante estavam disponíveis e agora já não estão 🙁 

 

Espero que encontrem sugestões que vos agucem o apetite 💛

20 Livros para ler com o Kobo Plus.png

 

Livros incluídos na subscrição Kobo Plus

 

  1. A Coisa à Volta do Teu Pescoço, Chimamanda Ngozi Adichie — Doze histórias, doze heroínas memoráveis que lutam para conservar os seus valores. 4.24 no Goodreads. Em português.

 

  1. The Handmaid’s Tale, Margaret Atwood — Uma distopia onde as servas existem e o poder da liberdade desaparece. 4.12 no Goodreads. Em inglês.

 

  1. Invisível, Paul Auster — Quatro partes entrecruzadas, um poeta, um casal francês, três narradores e um triângulo amoroso. 3.69 no Goodreads. Em português.

 

  1. Where I Live Now - Stories 1993 . 1998, Lucia Berlin — Conjunto de contos que mergulham na condição humana e na felicidade que pode não ser real. 4.49 no Goodreads. Em inglês.

 

  1. Two serious Ladies, Jane Bowles — Duas mulheres sérias que querem mais da vida e que vão tentar encontrar-se, cada uma à sua maneira. 3.64 no Goodreads Em inglês.

 

  1. Pão de Açúcar, Afonso Reis Cabral — O relato do caso Gisberta que tenta trazer luz ao paradoxo de quem conforta para depois magoar. 3.84 no Goodreads. Em português.

 

  1. No início, Eram Dez…, Agatha Christie — Dez pessoas visitam uma ilha a pedido de um desconhecido, mas, um a um, vão sendo assassinados. 4.26 no Goodreads Em português.

 

  1. O Pintor debaixo do Lava-Loiças, Afonso Cruz — Uma história verídica que nos mostra que, às vezes, são as pequenas coisas que façam a diferença. 4.01 no Goodreads. Em português.

 

  1. O Som e a Fúria, William Faulkner — A tragédia da família Compson contada pelas vozes dos três irmãos. 3.86 no Goodreads. Em português.

 

  1. A Gorda, Isabela Figueiredo — A história de uma mulher, gorda, e dos desafios e dissabores que enfrenta na sua vida. 3.84 no Goodreads. Em português.

 

  1. A Noite de Todas as Almas, Deborah Harkness — Vampiros, bruxas e demónio. Uma historiadora que não tem outra hipótese senão aceitar o seu papel neste mundo fantástico. 4.0 no Goodreads. Em português.

 

  1. Interpreter of Maladies, Jhumpa Lahri — Um conjunto de histórias onde os protagonistas navegam entre a cultura indiana e o que se vive no resto do mundo. 4.16 no Goodreads. Em inglês.

 

  1. Passing, Nella Larsen — Duas mulheres, um retrato psicológico de conflitos raciais, do pânico, do medo e da vontade de aceitar a cultura. 3.91 no Goodreads. Em inglês

 

  1. Pachinko, Min Jin Lee — História que segue uma família coreana durante quatro gerações e que decorre na Coreia e no Japão. 4.28 no Goodreads. Em inglês.

 

  1. The Paper Menagerie, Ken Liu — Dezasseis histórias que misturam o mágico com o mundano e que, pelo caminho, ganharam os três principais prémios de ficção cientifica/fantasia.  4.56 no Goodreads. Em inglês.

 

  1. Kafka à Beira-Mar, Haruki Murakami — Gatos conversam com pessoas, cai peixe do céu. Um novo e um velho viajam em busca de algo. 4.13 no Goodreads Em português.

 

  1. 1984, George Orwell — Um mundo opressivo onde até as ideias são controladas. Winston Smith tenta alcançar a individualidade. 4.19 no Goodreads. Em português.

 

  1. O Nome do Vento, Patrick Rothfuss — Uma criança que se vai tornar no maior feiticeiro de sempre e o adulto que tenta distinguir a lenda da realidade. 4.51 no Goodreads. Em português. 

 

  1. Um Gentleman em Moscovo, Amor Towles — Um conde que, por causa de um poema que escreveu, é condenado a prisão domiciliária num hotel. 4.33 no Goodreads. Em português.

 

  1. María Antonieta, Stefan Zweig — A história de María Antonieta, uma mulher comum que revolucionou a corte francesa. 4.32 no Goodreads. Em português.

 

Se tiverem outras sugestões, partilhem, por favor — a minha TBR tem sempre espaço para crescer 😅 Comentários sobre livros desta lista também são bem-vindos 🤍

Opinião: O Mestre e Margarita — Mikhaíl Bulgákov

Peguei neste livro sem saber bem ao que ia. Sabia que era meio louco e que tinha bruxas e um gato falante. Depois descobri que tinha um baile do diabo, a história da crucificação de Jesus Nazaré, um manicómio sempre cheio e uma história de amor.

E isto é só a ponta do icebergue. 

O Mestre e  Margarita, Mikhaíl Bulgákov.jpeg

No meio de uma história com imensas histórias, temos muitas outras coisas. 

Temos exemplos do egoísmo e da ganância dos homens. Momentos onde percebemos que quem faz o bem também pode fazer o mal e que quem faz o mal também pode fazer o bem — afinal, o que é o bem e o que é o mal? Percebemos o valor da liberdade e percebemos também que conseguimos sempre seguir em frente, de uma maneira ou de outra. Percebemos também que são as histórias que perduram e que ninguém as pode verdadeiramente tirar de nós.

 

O Mestre e Margarita é uma sátira, uma comédia e um retrato. É tão rico e complexo que é muito mais do que uma coisa. Tem um ângulo cristão onde dissecamos o bem e o mal. Tem uma interpretação política onde apontamos as hipocrisias que no dia-a-dia fingimos não ver. Tem também uma visão do ser humano envolto em arte (e em falhas) onde percebemos o poder que a arte tem no nosso ser. 

 

É uma história(s) que, apesar de grande, se lê bem. A escrita é leve e divertida. Os acontecimentos são fantásticos (leia-se absurdos) e dei por mim muitas vezes a pensar “mas como é que ele se lembrou disto”. É uma abordagem diferente do que costumo ler, aqui usa-se fantasia e comédia para tocar em temas bem sérios.

 

Confesso que em alguns momentos tive dificuldades em saber quem é quem — coisa que me acontece sempre em romances russos com muitas personagens (e aqui há TANTAS). Como não me relaciono com os nomes, é difícil perceber quem é quem. Felizmente, o autor era também fã de identificar as pessoas pelas suas características, o que me permitiu sempre voltar a apanhar o fio à meada. 

 

Um livro que me fez comprar o livro físico depois de o ter lido em formato ebook. Li em inglês, mas resolvi comprar a tradução portuguesa — quero voltar a lê-lo, com mais calma, e voltar a visitar aquele mundo onde tudo acontece e onde tudo pode acontecer.

 

Já leram? Se leram em português, gostava muito de saber que tradução escolheram. Eu optei pela da Nina Guerra e do Filipe Guerra, mas gostava de saber a vossa opinião 💛

5 Livros para voltar a ler — Sugestões

Sei que, como eu, há muitos leitores por aí com dificuldade em voltar às leituras nestes tempos estranhos. Estamos fechados em casa, a repetir testes ao primeiro sintoma e pensar quando é que vamos voltar ao normal.

No meio deste cenário que não é normal, o que é normal é não sermos exatamente a pessoa que costumávamos ser. Ou porque damos prioridade a outras coisas ou porque temos a vontade, mas falta-nos a concentração. Falo por mim, que estive meses sem conseguir terminar um livro. Ainda hoje tenho uma pilha de uns oito livros junto à cama — são aqueles que comecei, mas que depois me perdi pelo meio.

Mais importante do que tudo é dar tempo ao tempo. É aceitar que temos direito a descansar, temos direito a não ter a concentração que já tivemos e temos o direito de estar o tempo que quisermos/precisarmos sem ler. Mas, para o caso de estarem com vontade de regressar às leituras, deixo-vos cinco sugestões.

Todos eles são livros fáceis de ler — essa foi a condição inicial. Depois, alguns podem ser positivos e com uma mensagem que nos faz acreditar no que está para vir, outros podem ser tão curiosos que precisamos de saber o que vem a seguir e outros ainda transportam-nos para um mundo bem mais simples que este — porque todos nós merecemos uma pausa.

Espero que algum destes seja aquele que procuram 💛

Livros para voltar a ler_Oh no Books.JPG

 

The House in the Cerulean Sea, T.J. Klune

Um funcionário público de 40 anos que percebe que nunca é tarde para mudar de vida e que está na hora de se aceitar a si mesmo e começar a viver. Podem ver a minha opinião no Instagram do Oh no! Books! Infelizmente, acho que não foi ainda publicado em português, mas quem gostar de ler em inglês tem uma história reconfortante à espera.

👉 Link Wook / Inglês (afiliado)

 

Circe, Madeline Miller

Para mim, a mitologia é sempre bem-vinda. Há qualquer coisa em deuses imperfeitos que me atrai e Circe é um excelente exemplar. Uma mulher que era diferente, mas que provou a si mesma o seu valor.

👉 Disponível em Português, link Wook (afiliado)

 

Piranesi, Susanna Clarke

Um dos meus livros preferidos de sempre. Com um toque de fantasia, é daqueles livros que cria um local onde gostamos de estar. É também bem mais do que aparenta.  Já escrevi sobre ele aqui no blog.

👉 Disponível em Português, link Wook (afiliado)

 

A Cosmology of monsters, Shaun Hamill

Um livro apresentado como "de horror", mas que de horror não tem nada. Tem monstros, sim, mas que não são assim tão assustadores. Uma história muito mais densa e rica do que estava à espera, mas que queremos acompanhar de perto. Também já escrevi sobre ele aqui no blog. Infelizmente, também não o encontrei em português.

👉 Link Wook / Inglês (afiliado)

 

Pan's Labyrinth, Guillermo Del Toro & Cornelia Funke

Para fãs de contos de fadas com um lado mais negro, o Labirinto do Fauno é baseado no filme com o mesmo nome (sim, o filme veio primeiro). Meio mágico, meio assustador, é uma viagem por um mundo encantado.

👉 Existe em português "O Labirinto do Fauno" na Fnac, por exemplo.

 

Espero que uma (ou mais) destas sugestões vos devolva o prazer da leitura 💛 Podem deixar mais sugestões ali nos comentários, são sempre bem-vindas. 💛

O Kobo Plus chegou a Portugal - vale a pena?

Sei que estou atrasada, já chegou há um bocadinho, mas acho que vale muito a pena falarmos da subscrição Kobo Plus por aqui. Para quem ainda não sabe, sou muito fã de ebooks readers. Comprei o meu primeiro, que foi um Kobo, assim que apareceram por Portugal. Já experimentei Kindle, mas não adorei estar presa à Amazon e voltei ao Kobo.

Apesar de continuar a adorar livros em papel, tenho que confessar que acabo por ler muito mais com o Kobo - anda sempre comigo e qualquer pausa é boa para uns minutos de leitura. Além disso, permite-me ler às refeições, hábito que tenho desde miúda, pois não tenho que estar a fazer malabarismos para segurar no livro e nos talheres ao mesmo tempo.

Já conhecia o serviço de subscrição Kobo Plus há uns tempos, mas sabia que só estava disponível noutros países. Esperei pacientemente que chegasse a Portugal e a espera valeu a pena 💛

Kobo Plus — Vale a pena?.jpeg

O que é o Kobo Plus?

O Kobo Plus é um serviço de subscrição que nos permite aceder gratuitamente a ebooks selecionados. Isto significa que não são todos os ebooks que o Kobo tem disponível, apenas aqueles que fazem parte da subscrição Kobo Plus. Além disso, tenham em conta que não são proprietários dos livros que descarregam com o serviço, apenas os podem ler enquanto tiverem a subscrição ativa.

Neste momento, a subscrição tem o seguinte custo:

  • Apenas ebooks — 5.99€/mês
  • Ebooks + audiobooks — 7.99€/mês
  • Apenas audiobooks — 5.99€/mês

Quem nunca experimentou o serviço tem direito a 30 dias gratuitos independentemente do plano que escolherem - o que vos dá bastante tempo para explorar os livros disponíveis 👍

Podem ler num e-reader Kobo ou na app Kobo. 95% do tempo estou a ler no e-reader, mas se, por algum motivo, me encontro numa fila e sem o Kobo, a app no telemóvel safa-me sempre.

 

Que livros tem o Kobo Plus?

Primeiro, por favor, não se deixem assustar pelas recomendações que fazem no website, honestamente, não sei onde vão buscar aquilo. Não sei se andam à procura dos piores livros ou se têm um algoritmo que é complemente aleatório (ou se calhar são os que vendem mais, não sei),

Em Portugal, o Kobo Plus foi criado em conjunto com a Leya, portanto vão conseguir encontrar muitos livros em português, mas também bastantes em inglês. Para mim, a melhor forma de ver a oferta dos livros (e se a subscrição vale a pena) é através da pesquisa. Pesquisem por aqueles que estão na vossa infinita lista de livros a ler e ativem o filtro "mostrar apenas livros Kobo Plus", desta forma conseguem poupar algum tempo.

Segundo o site da Leya, já há mais de 8000 ebooks em português e mais de 599.000 noutros idiomas.

Acho que vou fazer um post com recomendações de ebooks disponíveis na subscrição, mas deixo aqui alguns que já estão na minha lista (um mix de português e inglês):

  • Tudo de Murakami
  • Tudo de Elena Ferrante
  • O Nome do Vento e O Medo do Homem Sábio de Patrick Rothfuss
  • Pachinko de Min Jin Lee
  • 1984 de George Orwell
  • O Som e a Fúria de William Faulkner

 

Também temos autores portugueses:

  • O Pintor debaixo do lava-loiças de Afonso Cruz (e já lá vi mais dois dele, pelo menos)
  • A Gorda, Isabela Figueiredo
  • Pão de Açúcar do Afonso Reis Cabral

Novamente, isto não é uma lista exaustiva, apenas uma amostra do que já tenho no meu Kobo à espera da sua vez 💛

 

E audiobooks?

Aqui confesso que foi onde a subscrição me desiludiu. Apesar de só custar mais 2€ se já tivermos a de ebooks, acabei por cancelar. De tudo o que tinha para ler, encontrei apenas um em audiobook... Como a subscrição é gerida com a Leya estão, naturalmente, mais focados em obras traduzidas para português. Ora, nós não temos muitos audiobooks em português, logo também não vamos ter muitos na subscrição. A Leya diz que existem mais de 700, mas devem ser obras que não estão na minha lista 😅 Para já não vou aderir, mas vou estando atenta.

 

Então, vale a pena?

Para mim? Sim. Estamos a falar de 5.99€/mês e consigo ler entre dois a quatro livros por mês, portanto acaba por compensar. Se vai valer a pena para sempre? Não sei, quando terminar a minha lista logo vejo se existem mais títulos que me interessem. Posso até fazer uma pausa e ir ler outras obras e depois voltar à subscrição quando me apetecer. Na minha opinião, este serviço é muito bem-vindo e fazia falta para conseguir competir com serviços semelhantes da Amazon.

Já conheciam o serviço? Já aderiram/vão aderir? Se tiverem recomendações, por favor, comentem aqui comigo. Se há coisa de que gosto é de aumentar a lista de livros a ler 😁

Opinião: O Nome do Vento — Patrick Rothfuss

O Nome do Vento.jpeg

Como já sabem, sou ávida leitora de fantasia, mas confesso que nem sempre é fácil encontrar o tipo de fantasia “certo” para mim. Como em tudo, cabe muita coisa dentro de fantasia, mas com o tempo aprendi a perceber se vou ou não gostar de um livro.

O Nome do Vento de Patrick Rothfuss é, felizmente, um dos casos em que acertei. Conheci este livro através da @portasetenta e depois de fazer alguma pesquisa (até porque ele é bem grande) achei que era capaz de gostar - e acertei. 

Não vos consigo contar muito sem spoilers, mas é um livro de fantasia bem sóbrio e realista, onde é fácil esquecer que estamos a ler fantasia - parece-me até ser uma boa introdução ao género. 

É uma história dentro de uma história onde o autor nos conta as suas aventuras que começaram enquanto ainda era apenas uma criança. Graças a este estilo de narrativa, é o livro ideal para ler por longos períodos de tempo, enquanto relaxamos no sofá. O autor construiu um mundo vasto e muito detalhado, cheio de personagens com personalidades muito bem construídas. A melhor maneira de desfrutar dele é deixarmo-nos levar e mergulhar no universo.

A história é sempre muito rica e deixa-nos com vontade de saber o que vem a seguir, mas tive momentos em que gostava que a narrativa acelerasse um bocadinho. O protagonista tem-se (na maioria dos casos) em muito boa conta e, como se fosse real, demora-se nas histórias que acha mais impactantes. Mas não pensem que é um livro aborrecido - não é! Eu é que consigo ser um pouco impaciente 😅

O Nome do Vento faz parte de uma trilogia, mas o terceiro livro ainda não foi publicado. O segundo (O Medo do Homem Sábio) foi editado em 2011, portanto já estamos há 10 anos à espera do último. Confesso que me deixa um pouco de pé atrás, mas não o suficiente para não continuar a ler. Agora vou fazer uma pausa e ler outro livro, mas vou pegar no segundo livro logo de seguida.

Se tiverem uma subscrição do Kobo Plus, tanto este como O Medo do Homem Sábio estão disponíveis ✌️

Já leram? Gostaram?

Opinião: Piranesi — Susanna Clarke

Quero muito falar-vos deste livro, porque gostei tanto dele que sei que o vou reler em breve. Muito raramente volto a ler livros - tenho tantos por ler, porquê perder tempo a ler o que já li? Mas abro exceções, normalmente em livros que são mais sensoriais e me oferecem um sítio onde posso ficar. É o caso deste. 

Piranesi, Susanna Clarke.jpeg

Piranesi, da Susanna Clarke é um livro diferente. Não esperem algo do género do Jonathan Strange & Mr Norrell. Não é. Podia ser, que eu também gostei, mas este é algo diferente. Ah, mas não é de fantasia? Perguntam vocês, fãs da dupla de mágicos, já a ficarem desesperados. Sim, é de fantasia, mas de uma fantasia mais próxima da nossa experiência.

Piranesi é um livro bonito, mas tão bonito. Conta-nos a história de Piranesi, que vive num local especial. Uma casa de tectos altos, de estátuas e de mar. Uma casa que é a única casa que o Piranesi quer. Não vos posso falar muito mais desta casa, pois a magia do livro está em ir descobrindo o que raio se está a passar. Há quem lhe chame um puzzle e sim, temos que ir juntando as peças. 

É também, com tanta pena minha, um livro pequeno. Lê-se bem, tão rápido. É que, de repente, também nós nos sentimos tão bem ali, no meio daquela casa que já conhecemos tão bem.

Sei que as minhas opiniões são sempre um bocadinho vagas, mas acredito que uma boa parte da experiência do livro está em ir descobrindo. Gosto de ler opiniões que me dizem, mais ou menos, que tipo de livro posso esperar - e é só. Cada vez mais tenho evitado ler as sinopses e procuro por reviews assim mais vagas. Acho que posso dizer que gosto de fazer com os livros o que temos que fazer com a casa de Piranesi - ir juntado as peças. 

E, se vos posso dar mais um conselho, sugiro (veementemente 😅 ) que leiam este artigo sobre a Susanna Clarke e o seu novo livro, publicado na The New Yorker. Depois pensem novamente no Piranesi, no 16 e no Outro 💛 (porque uma boa história conta sempre várias histórias).

Se quiserem ver um vídeo do livro (da linda edição de capa dura), tenho no meu Instagram, dentro do destaque “Compras”, em último lugar.

Ah! E porque lá no início vos falei em livros mais sensoriais, por favor, conheçam também a maravilhosa Erin Morgenstern - o The Night Circus costuma ter mais fãs, mas o The Starless Sea é o que tem o lugar especial no meu coração (ainda por cima ouvi ambos em audiobook 💜 ).

Se já leram, por favor, partilhem comigo a vossa opinião. Estou muito curiosa em saber se tiveram uma experiência tão boa como a minha 💓 (acabei de reparar que esta publicação tem muitos corações - eu acho que quer dizer qualquer coisa).

🛒 Podem comprar aqui em inglês.