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Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Oh no! Books!

Livros, fotografia e viagens. (na verdade, é quase só livros)

Opinião: Tokyo Ueno Station — Yu Miri

Um fantasma que nos conta a história de quando era vivo. Não fiquem de pé atrás com o fantasma, não há nada de fantástico nesta história, pelo contrário. 

 

Tokyo Ueno Station de Yu Miri é uma representação da sociedade japonesa que começa em 1933 e segue até aos dias de hoje. Seguimos a vida de um homem, Kazu, e das suas relações com a família e com as outras pessoas com quem se cruza. Enquanto fantasma, Kazu tem um ponto de vista único, tão depressa estamos a relembrar a sua vida, como estamos a observar as pessoas, estranhos, que fazem a sua vida na estação e no parque que Kazu habitua.

Tokyo Ueno Station Oh no Books.jpeg

É um retrato muito despretensioso da vida de Kazu e da sociedade onde está inserido. Kazu é, era, pobre. Vivia longe da família para a suportar e, além da pobreza, Kazu tinha muito azar na vida.  

“I was never home, because I was away working, so I didn’t take any pictures of the children. I never had my own camera either.”

Não pensem que é uma lamúria constante, porque não é e é aí que está o verdadeiro impacto desta história. Yu Miri conta-nos esta história de uma forma quase estéril. Kazu, tal como milhares de outros na mesma situação, aceita a sua vida. Aceita as suas dificuldades e faz o que tem que fazer, da melhor maneira que consegue. E, quando não consegue, aceita também. É um distanciamento que nos deixa, um pouco, assustados e desolados com a realidade da vida.

“I would have liked to exchange a glance with someone, anyone, even a sparrow. (…) but there is no broom, no shovel, and nobody, nobody, nobody…”

Um solidão dilacerante. Não apenas do nosso protagonista, mas da sociedade, das pessoas. Breves ligações, de hábitos, quando todos anseiam por mais. Também conhecemos a crueldade, aquele que existe todos os dias e que nós, educadamente, viramos o rosto.

“I hear a listless sort of screeching.

Possibly the first cicadas of the year.

Could be a Kaempfer cicada…

Or maybe it’s not a cicada, maybe it’s a katydid or something else…” 

A narrativa é frequentemente interrompida por reparos, por sons e imagens, ajudando a tornar tudo muito mais real. Mergulhamos na voz de Kazu e quando ele repara em algo e interrompe a história, também nós reparamos. Vemos com os seus olhos e sentimo-nos, mesmo, como se o fantasma fossemos nós.

Tokyo Ueno Station interior.jpeg

Há muito, muito mais para dizer sobre este livro. Um crítica ao sistema imperial do Japão, à guerra, aos jogos olímpicos. Onde Kazu acabou a sua vida e porquê, mas não quero contar demasiado — acho que é uma experiência que merece ser descoberta e saboreada. 

“I’m trying, I thought.

Set me free from trying, I thought.”

Só quero dizer mais um coisa: este minha opinião não faz jus a este livro. Yu Miri oferece-nos uma experiência tão diferente do habitual que tenho a certeza que me vou lembrar deste livro durante muito tempo. 

 

Que eu saiba, ainda não está editado em português, mas, se puderem, leiam em inglês. São 180 páginas de um livro minúsculo (é pouco mais alto que um telemóvel) com imenso espaçamento — é mesmo um livro pequeno.

 

Deixo só a nota que é um livro que trata de temas pesados — acho que deu para perceber 😅 Acho que os trata de uma forma leve, mas deixo o alerta.

 

Se já leram, por favor, partilhem comigo a vossa opinião. Se não leram, digam-me se contribuí para aumentar a vossa TBR 😅 (espero mesmo que sim).

Livros que li nas férias (2021)

Foram duas semanas de férias muito divididas entre comprar livros e ler livros 😅.

Além destes que estão na foto, também li o Salem’s Lot do Stephen King, mas li no Kobo, portanto não veio para a foto.

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😱 Os Pássaros e outros contos macabros, Daphne du Maurier — Sei que é uma autora adorada por muitos e reconheço muita qualidade na sua escrita, mas não é a minha preferida no formato de contos. Prefiro um género de terror mais silencioso e, nestes contos, a Daphne du Maurier trabalha um tipo de terror muito mais imediato, muito mais urgente. Digam-me, gostam desta autora? Porquê?

 

🤖 Klara e o Sol, Kazuo Ishiguro — Agora estou a começar a pensar que gostava de ter colocado os livros por outra ordem 😅 Também foi uma leitura que me desiludiu bastante… acho que ficou ao nível do outro que li do autor “Nunca me Deixes”. Lê-se bem, mas achei muito semelhante ao outro que li e parece-me sempre que o autor não sabe bem o que quer dizer, parece-me sempre tudo muito superficial e encostado à bengala do twist.

 

👩🏻 Eliete, Dulce Maria Cardoso — UAU. Nunca tinha lido nada da autora, mas agora sei que vou querer ler toda a obra. Surpreendeu-me bastante, não só pela história, mas pela riqueza e profundidade da linguagem. Recomendo muito. Já deixei opinião aqui no feed.

 

⛵️ Outline, Rachel Cusk — Livro maravilhoso. O primeiro de uma trilogia, é composto por dez conversações. Todas tão profundas que não têm espaço na vida real. Pessoas a conversar, a pensar, pessoas a mostrarem quem são, pessoas com medo. Gostei imenso e vou querer ler os outros dois.

 

🥺 Tokyo Ueno Station, Yu Miri — Outro livro bonito. Um fantasma que nos fala de perda, de invisibilidade, de pobreza, de falta de sorte, de falta de vontade de continuar. Uma visão da perda próxima e poderosa. Podem ver a minha opinião aqui.

 

🧛‍♀️ Salem’s Lot, Stephen King — Já não lia King há imenso tempo, mas voltei a ficar com vontade. Dos meus preferidos dele até agora.

 

E vocês, o que leram nas férias? Já leram algum destes?

 

Os novos livros cá de casa #6

Ui, que o último post nesta rubrica foi quase há um ano atrás 😅 Como poderão adivinhar, não estive um ano sem comprar livros (mas fazia-me bem), estive, sim, um ano sem partilhar as novas chegadas cá a casa.

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Agora, estive duas semanas de férias e acho que comprei este mundo e o outro. Não sei se vos acontece o mesmo, mas eu posso estar meses sem comprar livros, mas depois, de repente, quero comprar todos os livros que existem e fazer todas as coleções 🤷🏻‍♀️ Vamos chamar equilíbro, sim?

Não se assustem que não vou partilhar os livros todos de uma vez — até porque gosto de falar um bocadinho sobre cada um e não quero ficar 5 horas a escrever este artigo (como fiquei para este 😱).

 

Magda Szábo — A Balada de Iza

Desta autora li A Porta e nunca mais me esqueci dela. Tinha na lista ler mais obras desta escritora húngara e quando vi A Balada de Iza não resisti e trouxe-o comigo. Ainda não o li, mas, pelo que pesquisei, conta-nos a história de uma mãe que vai viver com a filha após ficar viúva. Depois temos uma filha que, com a melhor das intenções, controla a vida da mãe para a ajudar a ultrapassar a dor de ter perdido o marido. Desprovida de responsabilidades e sem necessidade de tomar decisões, a mãe começa a questionar-se sobre a sua existência. 

Como vos disse, ainda não o li, mas tenho a certeza que vou adorar.

🛒 Podem comprar aqui.

 

The Penguin Book of the Modern American Short Story

Fã de contos e muito fã destas coleções que a Penguin edita. Já tenho a edição de contos britânicos (The Penguin Book of Contemporary British Short Story) e também os japoneses (The Penguin Book of Japanese Short Stories). Esta é editado pelo John Freeman e contém contos de nomes bem conhecidos, como Ursula K. Le Guin, Raymond Carver, Susan Sontag, Lucia Berlin, Jhumpa Lahiri, Ken Liu e até Stephen King.

Gosto muito de ler contos e acho estas coleções por origem super interessantes. Também tenho alguns livros de contos por autor, mas há algo nestas misturas que mantém a leitura sempre surpreendente. 

🛒 Podem comprar aqui (em inglês)

 

Ali Smith — Outono

Primeiro livro da tetralogia — sim, adivinharam, cada um é uma estação do ano. Gostava de vos falar um pouco sobre este livro, mas se pesquisarem sobre ele vão perceber porque não consigo. Com opiniões muito divididas, parece que nem a história é clara. Vejo-o muitas vezes descrito como experimental e acabei por ficar com muita curiosidade. 

Prometo que partilho convosco quando o ler (se já o leram partilhem comigo a vossa opinião 🙏).

🛒 Podem comprar aqui.

 

Yu Miri — Tokyo Ueno Station

Posso começar por dizer que é um livro maravilhoso? Quem nos leva nesta viagem é um fantasma que observa a vida dos vivos que o rodeiam ao mesmo tempo que nos vai contando a história da sua vida. É um livro triste. É um livro que trata a sensação de perda, a sensação de luto como nenhum outro que eu tenha lido até agora. Não é um livro alegre, mas é poético e, ainda que trate de temas pesados, é um livro que se lê bem. 

Assim que consiga partilho a minha opinião mais detalhada convosco.

🛒 Podem comprar aqui (em inglês).

 

Já leram algum destes? Têm algum na wishlist?

Podem ver os outros posts desta rubrica aqui. 

 

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